Manhãs azuis
Tardes douradas
E noites inspiradoras
O doce do chiclete, e não o amargo da boca
Capacidade de ouvir as coisas crendo piamente sem me importar o quão fantasiosas possam parecer
Dias tristes pra quebrar a rotina, quando dia triste não for rotina
Livros que me levem para um além de mim
Musicas que me façam levitar
Filmes que me façam chorar de alegria
Um corte de cabelo com o qual sempre sonho
Minha coleção de playmobil de volta
Minha vontade de brincar com playmobil de volta
Me conhecer melhor, só pra voltar a me perder no meu emaranhado de “eus”
Dormir pensando em ser feliz, sonhar com sorvete de chocolate, e acordar com gosto de recreio no céu da boca
Palavras engraçadas em poesias bobas e despretensiosas
E ter eternamente essa minha vocação pra palhaço sem picadeiro
Um sedativo para o meu pessimismo, e um energético pra minha euforia
Caixas de primeiros socorros no caminho que trilho
Que o gosto do danoninho não estranhe meu paladar
E que ainda exista motivos pra se pensar em revolução
Capacidade de voltar a crer nas pessoas
Ser metade do homem que foi meu pai
E apesar de não crer em céu, acreditar que minha mãe tem seu cantinho garantido
Ter uma relação harmoniosa com as pessoas que vi crescer, minha irmã e meu irmão
Ter a chance de voltar no passado só pra cometer os mesmos erros
Ter um filho, e poder dizer pra ele que ser honesto vale a pena
Ter sempre no seu afeto um cantinho pro meu aconchego
Uma banda de fanfarra pra me acordar todos os dias
E um coral de anjos pra me por pra dormir
Uma colombina pra alegrar o bobo sem corte que sou,
Minha capacidade de amar intacta,
“...Um espelho mais feliz...”
Douglas Alves
quinta-feira, 25 de outubro de 2007
Lista de presentes para um aniversário que não vai chegar...
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A COMÉDIA DA VIDA
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sexta-feira, 19 de outubro de 2007
SAUDADES NO ARMÁRIO
Fez-me sentir ao partir.
Consome e traz amor pela eternidade.
Eu sinto, eu respiro, eu saio, eu grito;
E lá ela permanece.
Por que eu luto?
Os lugares mudam;
Ela é a mesma.
Quem traz saudade;
Não é por maldade.
Você se foi e não vai voltar;
Você se foi e me fez chorar.
Eu nem me despedi;
E quando vi já estava sem ti.
Estou aqui e sempre rezo por ti;
Pra te mostrar que não te esqueci!
alineleelira@gmail.com
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Esse não é você, disse Paulo!

Tomaram-me pelo o que eu não era,
Na embriagues do copo eu refletido,
Em noites cinzentas, entre bons amigos,
Procurando a realidade de um ser sem dia a dia,
Tomaram-me por outro que distante de mim
Parecia ser mais real do que meu próprio toque,
A dor indivisível de um corte a gilete na carne frouxa,
A voracidade mórbida de um soco no saco de areia,
Vestiram-me com outras roupas,
Que não me cabiam com perfeita simetria,
Tenho saudade da bola de capotão,
E do meu singularíssimo entendimento da palavra alegria,
Desenharam-me com outros traços,
Pouca tinta e nem uma luz,
Mal sabem eles que esse desenho eu mesmo faço,
Com a incerteza do lápis que me conduz,
Traço a traço fizeram o que devera eu ser,
Sem hesitantes traços, sem cores, senão as que tenho,
E nessa luta infinda entre o que sou, e o que seu lápis fez de mim,
Restou um homem mal desenhado que traz nas veias o tom do próprio carmim...
Douglas Alves
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quarta-feira, 10 de outubro de 2007
Ressaca
A vida é um gole,
Dado as pressas,
Engolido a seco,
E há quem diga que embriaga de uma só vez,
Num instante tão único que chega a se confundir com o primeiro gozo.
A vida é um gole,
Amargo,
Quando falta doçura nos olhos da alma,
Engolido com expressão facial,
Num instante tão imorredouro que nem o pensamento alcança,
A vida é um gole,
Inodoro pra quem esta só de passagem,
Engolido sem tempo de espera na esfera do memorável,
Num instante que não merece fotografia, nem mesmo a da lembrança,
A vida é um gole,
Advindo de uma necessidade única e exclusivamente biológica,
Com sabor de contentamento,
Num momento tão preciso, que o olho humano não se habilita a ver,
A vida é um gole,
Agradável sabor que vem pra matar uma sede infinda,
Engolido com gosto de jardim no deserto do não se conter,
E há quem diga que é capaz de beber todo um ribeirão,
Num instante que traz a meu paladar um sabor de soverte de flocos,
Nos tempos idos de minha infância,
Quando eu bebia, e a idade não vinha me dizer,
Que o segredo de beber essa vida,
É envesgar os olhos e virar o copo que nem criança...
Douglas Alves
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Crônica - Sentidos
Luís Fernando Veríssimo
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Desencontrários
Paulo Leminski
Mandei a palavra rimar,
ela não me obedeceu.
Falou em mar, em céu, em rosa,
em grego, em silêncio, em prosa.
Parecia fora de si,
a sílaba silenciosa.
mandei a frase sonhar,
e ela se foi num labirinto.
Fazer poesia, eu sinto, apenas isso.
Dar ordens a um exército,
para conquistar um império extinto.
Fonte: http://paginas.terra.com.br/arte/PopBox/kamiquase/dist_ven.htm
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