quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Poesia

Cinema

Música

Dois guardanapos de bar

Um dia veio uma menina e “desinventou” a palavra agora, como se já não houvesse momento presente no que vivo. Meu instante único que deveria começar na palavra agora se finda antes do começo da palavra que sempre se atrasa.
Moça chata, de riso fácil e encantador, comeu todas as certezas que guardei para amanhã, sem certezas e com a cabeça “descontruída”, você me vem, e quando acredito não poder mais gostar de você, de outra forma mais rasgada e despreocupada, você “descomeça” o apreço que a tenho, reinventando outras formas de se sentir um querer totalmente involuntário.
Não sei se a cerveja permite que eu seja claro em minhas explanações, mas não ouso frear esse instinto breve, que busca no condimento único da lembrança do beijo da mulher sonhada, o único alimento pra minha fome infinda.
Você vem sempre, besta como só você sabe o ser, “desinaugurando” alegrias, só pra deixar tudo com a sua cara.
“Resignificando” coisas, inventando outras, criando um mix de alegria e sonho nos sertões do meu entender. Vem sempre como quem não quer nada, pra por virgula onde antes havia exclamação.
Vem sempre sem noção de espaço, me arranca um pedaço, e coloca no lugar uma vontade de não.
Tira de tudo o sentido que dei, me destrona, me faz “desrei” do castelo que construí com areia.
Coloca concreto na palavra saudade, tira o deserto da palavra miragem e faz do real uma utopia além sonho.
Muda a alegria do lugar onde ponho, “desamanhece” meus dias, invade meu sonho, dá fogos de artifício ao meu momento de paz.
Inventa palavra, onde antes só havia silencio, me faz feliz como dicionário nenhum faz.

Douglas Alves

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Fique ligado!

De 14 a 18/11, o Memorial da América Latina, em São Paulo, será sede do 1º Salão Nacional do Jornalista Escritor. O evento, que tem o apoio da CBL, fará parte das comemorações do centenário da ABI (Associação Brasileira de Imprensa), primeira entidade representativa dos jornalistas brasileiros, fundada em 7 de abril de 1908.

O objetivo é possibilitar a estudantes, pesquisadores, professores e sociedade em geral o acesso a obras escritas por profissionais do ramo jornalístico, cada vez mais presentes no universo dos best-sellers. Durante cinco dias, autores de todo o País e alguns convidados internacionais discutirão, por meio de debates, palestras, seminários e workshops, a interface das carreiras de jornalista e escritor.

Mais informações no site: http://www.jornalistaescritor.org/


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A quinta edição do programa Portfólio apresenta o trabalho fotográfico do paraense Alexandre Sequeira.

Os registros do fotógrafo estabelecem diálogo com o conto As Irmãs Passionistas, da escritora carioca Bruna Beber.

A curadoria é de Eder Chiodetto, para as fotos, e de Nelson de Oliveira, para o texto literário.

Portfólio Alexandre Sequeira
domingo 21 outubro a domingo 25 novembro

terça a sexta - 10h às 21h
sábado, domingo e feriado - 10h às 19h

itaú cultural - Avenida Paulista, 149 - são paulo - sp

Deixo pra amanhã o amanhã

Adio todas as portas por abrir
E as que encontro abertas
Adio a hora, o passo, o piscar do olho
Adio-me todo, em intervalos de adiamento
Só não adio o momento,
A boca na boca na hora do beijo
A palavra áspera na hora do desejo
O desejo de palavra no instante de silencio,
Adio a bifurcação do caminho,
O caminho, o atalho, a rua sem saída,
Adio a ida, a volta, o permanecer vão,
Adio o entendimento, o pressentimento,
Sou todo sala de espera,
A espera da hora do não,
Então me adio,
Adio a decisão, a indecisão,
O existir, o vão entre o que sou,
E o que a espera alheia fez de mim,
Adio sim, o sim e o não,
A Petição do dia, adio meu dia
Até que a noite se faça presente
Adio o meu melhor momento ausente,
Adio a semente, o botão que almeja virar rosa,
Adio a prosa, a sorte, o azar de saber-me eu,
Adio Deus num altar todo ornado de nada,
Adio a ata, a reunião, adio meu coração
E o batimento aflito,
Adio o conflito, o infinito,
E já não vejo na minha inauguração,
A data precisa para o tanger inexato de minha boiada.

Douglas Alves

“Do lado de fora tenho tudo que dentro de mim pede pra sair”

“E não há entendimento meu, que não faça do que sou uma lembrança póstuma de quem eu podia ser” (Douglas Alves)