Luís Fernando Veríssimo
quarta-feira, 10 de outubro de 2007
Crônica - Sentidos
Luís Fernando Veríssimo
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Desencontrários
Paulo Leminski
Mandei a palavra rimar,
ela não me obedeceu.
Falou em mar, em céu, em rosa,
em grego, em silêncio, em prosa.
Parecia fora de si,
a sílaba silenciosa.
mandei a frase sonhar,
e ela se foi num labirinto.
Fazer poesia, eu sinto, apenas isso.
Dar ordens a um exército,
para conquistar um império extinto.
Fonte: http://paginas.terra.com.br/arte/PopBox/kamiquase/dist_ven.htm
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Texticullini 1
Tenho dinheiro na mão. Todo mundo quer isso e faz muita coisa por isso, né, dinheiro. Eu tenho. Basta achar quem queira fazer o que eu quero que façam. Não é difícil.
Eu aqui tenho o meu corpo. Vendo por preço qualquer. Mas prefiro que seja por sonho. Gosto de me iludir. É legal acreditar que se é feliz de vez em quando.
Em tempos de guerra não se permitem excessos, já avisei, companheiros.
Pulo fora de um relacionamento toda vez que vejo que o negócio tá ficando mais sério. Onde já se viu me entregar? Em troca de quê? De crença?
Por sete meses mantive relações com aquela porta. Sua madeira não era boa e a fechadura nunca me deixava ver o que tinha dentro, mas não posso dizer que foi ruim.
O abraço dele era tão macio quanto seria o abraço de um mandacaru.
por Lívia Lima
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15:27
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quarta-feira, 3 de outubro de 2007
Poema
Apoi abri teus oi, tua boca
e assei a minha.
Cuma tava crua
Te apussui e
eu e tu se assando todo.
Assassino.
Assassinarei teus olhos,
desmantelarei teu olhar
para deixar tuas mãos e teu olhar no vazio.
Guerrearei contra todos os portos,
serei ilha, num pacto com outro sol,.
Desintalarei tuas informações , e arrancarei as cores
que impusestes a mim.
Rasgarei.
Sp.02.95
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Olhar de um Paulistano
Inspirado na Poesia Sétimo olhar paulistano da poeta Aline Lira
_
Terra, aqui já não vejo,
Cimento cinza, brilho de azulejo,
Um jardim de pedras a se regar,
A vista estreita, já não inaugura paisagem,
A poluição só inventa miragem,
E a sarjeta é travesseiro pra sonhar,
Silencio aqui, só se escuta,
Dia e noite, é sempre labuta,
Pra ver crescer essa cidade sem par,
Paz aqui é concreto e publicidade,
Retrato fiel da nossa abandonada cidade,
Onde a esperança pensa em se suicidar,
Quem aqui se atirou em busca de um lugar ao sol,
Molhou-se na garoa, urinou no lençol,
Assustado agora quer pra casa voltar,
Douglas Alves
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Eu tomo pinga, eu não sei o que é melhor pra mim?
Para aqueles ainda não habituados a ouvir um Cd sem se despir das diversas influencias mercadológicas que insistem em vincular hit’s grudentos e, estereotipar os artistas como se fossem esses produtos ao alcance das mãos nas prateleiras da vida, ao ouvir o som do Pato Fu, provavelmente terão a impressão de estar diante de mais uma banda adolescente.
Esse ledo engano, faz com que Fernanda Takai, John e compania sejam tratados como compositores menores, empoeirando de forma prematura uma obra que deveria servir de molde para as diversas bandas que se arriscam nesse terreno perigoso e infértil qualitativamente falando chamado de cenário Pop.
A diversidade de timbres, os arranjos atemporais, a voz pluma de Takai, e a poesia explicita nas canções de John, somados a uma irreverência inteligentíssima, fazem do Pato Fu a melhor e banda Pop do Brasil.
Simplicidade
Vai diminuindo a cidade
Vai aumentando a simpatia
Quanto menor a casinha
Mais sincero o bom dia
Mais mole a cama em que durmo
Mais duro o chão que eu piso
Tem água limpa na pia
Tem dente a mais no sorriso
Busquei felicidade
Encontrei foi Maria
Ela, pinga e farinha
E eu sentindo alegria
Café tá quente no fogo
Barriga não tá vazia
Quanto mais simplicidade
Melhor o nascer do dia
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16:30
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Caça aos gênios do texto

A revista literária Granta revelou autores como Salman Rushdie, Ian McEwan e Hanif Kureishi. Saiba quais são as novas apostas do título britânico, que sai agora em português.
A cada dez anos, a conceituada revista inglesa Granta publica sua seleção de melhores autores jovens. Foram três edições na Grã-Bretanha, em 19 83, 1993 e 2003 — que destacaram gente como Salman Rushdie, Ian McEwan, Hanif Kureishi e Zadie Smith — e duas nos Estados Unidos, em 19 96 e 2006 — que revelaram, entre outros, Jonathan Franzen e Jeffrey Eugenides. A novidade é que, pela primeira vez, traduz-se esse compêndio entre nós. Assim, um ano após o volume mais recente ter saído em seu país de origem, os brasileiros podem conferir os jovens ficcionistas que, na opinião de Granta, devem fazer a diferença literária nos Estados Unidos.
Alguns desses autores são conhecidos. É o caso de Jonathan Safran Foer, autor de Tudo É Iluminado, e de Uzodinma Iweala, que escreveu o empolgante Feras de Lugar Nenhum. Na coletânea de Granta, Foer mantém a qualidade com Quarto Após Quarto, contraponto lírico entre uma paciente moribunda e seu médico, mas Iweala decepciona com Dança Cadaverosa, um registro banal de conflitos familiares.
Bem melhor é o conto Procriar, Gerar, de Anthony Doerr, que parte de um tema comum — a dificuldade de um casal para ter filhos — para compor, com habilidade narrativa notável e de criação de imagem, um afresco sobre as aspirações e decepções humanas. Ou Mãe e Filho, de Akhil Sharma, que traça um retrato vívido de uma família de imigrados indianos, cujos percalços são vistos pela perspectiva de um menino. Ou ainda O Rei Está Acima do Povo, do peruano Daniel Alarcón, sobre o destino incerto das novas gerações em um país que, como muitos da América Latina, equilibra-se entre a democracia recente e a pobreza crônica.
LEGIÃO ESTRANGEIRA
Multiculturalismos à parte, pode-se dizer que se, cem anos atrás, os Estados Unidos precisavam deitar os olhos sobre o mundo (sobretudo a Europa) para produzir sua arte, agora é o mundo que pousa o olhar nos Estados Unidos. E o resultado artístico não deixa de ser, no geral, bastante promissor.
*por Marcelo Pen
Fonte:
http://bravonline.abril.uol.com.br/indices/livros/livrosmateria_253427.shtml?page=2
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